O pastor - e infelizmente deputado
– Marco Feliciano foi escolhido para presidir a Comissão de Direitos Humanos
da Câmara dos Deputados. Digo infelizmente, porque abomino quando um sacerdote
leva para a política suas convicções religiosas.
Religiões são estruturadas em cima
de questões de fé e, como tal, não necessitam de fundamentos lógicos. Pelo
contrário, ter fé é acreditar mesmo quando toda a lógica indica o contrário.
Por isso, toda e qualquer religião abriga tantos dogmas em sua filosofia.
Considero que não há mal nenhum
nisso. Pelo contrário: muitas vezes nossa percepção da realidade é limitada. E nesses
momentos, apenas a fé (em Deus, no trabalho, nos amigos) pode nos ajudar a
driblar esse problema.
Mas se a função da filosofia é
transcender a lógica, a natureza da política é – ou deveria ser – a lógica. Principalmente
no poder legislativo, onde as leis são confeccionadas de maneira igual a todo e
qualquer cidadão. E como manter a igualdade da lei quando você está convicto
que homossexuais são perversos e afro-descendentes são amaldiçoados? Ou ainda:
por mais tolerante que seja sua religião, ela parte do princípio que a salvação
só é possível por meio do que ela prega - senão, não pregaria.
Discorda do que eu escrevi? Então
peço que você leia com atenção ao que o pastor com cara de cantor sertanejo já
declarou publicamente:
“Africanos descendem de ancestral
amaldiçoado por Noé, Isso é fato.”
“Sobre o continente africano
repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá:
ebola, Aids, fome...”
“Sendo possivelmente o 1o. Ato de
homossexualismo da história.” (sobre a origem da homossexualidade ser africana)
“Bora cristãos! Mostremos nossa
união e nossa força. Retuítem isso: Amamos os homossexuais mas abominamos suas
práticas promíscuas”
Já que um sacerdote tem direito de
meter os bedelhos onde não é chamado, um humorista como eu também pode meter
seus bedelhos e fazer uma profecia, tal qual um sacerdote. E aí vai:
José Luiz, capítulo 0 - versículo
0: “O povo brasileiro é descendente de um ancestral amaldiçoado de Marcio
Thomaz Bastos. Sobre este país repousará a maldição dos processos jurídicos contra
artistas, humoristas e jornalistas, enquanto transbordarão generosamente as
bençãos da impunidade e da simpatia popular sobre racistas, homofóbicos,
intolerantes, corruptos e populistas.”




